sábado, 11 de outubro de 2008

A VIOLÊNCIA INVADE NOSSAS ESCOLAS

A escola sempre foi vista como um lugar onde os pais deixam seus filhos, na certeza de que, lá estarão protegidos da violência que degrada a sociedade. No ambiente escolar não há espaço para drogas, prostituição, agressões físicas ou morais... existe apenas um mundo de conhecimento a ser descoberto, favorecendo a capacitação dos jovens, para que possam enfrentar o competitivo mercado de trabalho.
Infelizmente nos últimos anos as escolas brasileiras estão passando por um processo de abandono e descaso, denegrindo assim a imagem de respeito representada pelas instituições de ensino. Cada vez mais, nos mais diversos meios de comunicação, vemos casos de violência nas escolas, como por exemplo: brigas entre alunos, professores sendo ameaçados de morte, alunos que chegam ao ponto de irem armados para sala de aula com objetivo de intimidar seus colegas, diante de tanta violência os jovens chegam a concluir, erroneamente, que o mundo do crime é mais fácil e lucrativo do que ter boas notas no boletim ou até mesmo um possível ingresso na Universidade.
Esse tipo de comportamento dá origem também, a outro tipo de violência, aquela que é mais prejudicial do que a física: a psicológica, onde alunos vão buscar nas drogas a “aceitação” da turma, pois para permanecerem em ciclos de amizades, geralmente rotulados de “os mais populares”, e até mesmo adquirirem o respeito dos demais colegas, os jovens tornam-se consumidores de drogas e chegam a serem usados pelos traficantes, para levarem drogas para o interior das escolas; meninas cada vez cedo iniciam sua vida sexual por falta de orientação adequada, já que boa parte das adolescentes tem receio de tirar suas dúvidas sobre sexo com pais ou professores, preferindo os “conselhos” das amigas de mesma faixa etária que, igualmente inexperientes, acabam tendo o mesmo fim: uma gravidez indesejada ou contraindo uma DST.
Em meio a esse fogo cruzado ficam os professores de mãos e pés amarrados, sem saberem como agirem para reverter este quadro preocupante. Com toda a responsabilidade nas costas, estes não têm a quem recorrerem, pois a grande maioria dos pais e até as autoridades atribuem aos professores, responsabilidades que também cambem a ambos. De que adianta os professores estabelecerem regras e quando os alunos chegam em casa seus pais são totalmente passivos, não fazendo valer sua autoridade, tornando totalmente desprezível as orientações e ensinamentos dados pelos professores? E as autoridades que deveriam servir de exemplo a serem seguidos, vez por outra, encontram-se envolvidas em escândalos, como por exemplo: fraudes nos Concursos Públicos (a venda de gabaritos pelas próprias entidades) ou desvio de verbas que eram destinadas à compra de merenda escolar. Assim, resta apenas o professor que, além de mal pago, é sobrecarregado de responsabilidades.
Diante deste caos vivenciado atualmente nas nossas escolas, podemos pensar que não existe solução, o que não é verdade. Temos vários exemplos de escolas situadas nos subúrbios das grandes cidades que, mesmo localizadas no centro de origem da violência, conseguiram trabalhar com seus alunos a idéia da educação como integração social tornando-os cientes de que estudar é o melhor caminho. Outro fator decisivo para o progresso e bem estar do ambiente escolar; extinguindo assim, a violência dentro e fora das instituições, é a cooperação de todos na formação deste ambiente, ou seja: pais participando efetivamente na vida pessoal, social e escolar de seus filhos; autoridades usando com responsabilidade as verbas destinadas a educação, pagando em dia e decentemente os professores, investindo em material didático de boa qualidade e não deixando faltar merenda para os alunos.
Enfim, para banir a violência de nossas escolas e conseqüentemente fora dela, é preciso nos conscientizarmos de que a criação de um bom aluno não se dá isoladamente na escola, é preciso a dedicação de pais e da sociedade de uma forma geral, para cuidar e preparar adequadamente nossos jovens, afinal serão eles que cuidarão do nosso país no futuro.